• Susana de Sousa

A Deusa-Mãe e um novo paradigma

Em tempos de incerteza, medo e preocupação, começamos a perceber que as velhas formas de ser, de viver, de governar, já não nos sustentam.


A pandemia do Coronavírus está a mostrar as grandes falhas dos sistemas sociais. As principais vítimas são as pessoas mais vulneráveis.


Este período desafiante vem pedir-nos para descobrir a verdadeira compaixão e a importância de um "pensar global" com foco na interconexão. Já deu para perceber que não estamos sozinhos e que um espirro no outro lado do mundo nos pode afetar.


No meio desta crise percebemos que muitas vezes não sabemos qual é a verdade. Somos obrigados a procurar por nós mesmos as fontes mais credíveis. A maior parte de nós já não acredita nos sistemas que nos governam.


Há uma Deusa que passou por um período de crise. A sua filha foi raptada e levada para o Submundo. Depois de muito procurar, a Deusa praticamente deixou morrer o planeta. Guardava as sementes na terra e estas não germinavam. A fome e a morte alastravam por todo o lado. Nem os deuses escapavam à miséria, pois sem os mortais, o que seria deles?


A Deusa era Deméter, a Deusa-Mãe. Ela lidou com o seu drama com contenção, forçando os deuses a arranjar uma solução viável para todos. Foi assim que a sua filha Perséfone ficou a viver durante um terço do ano no Submundo, e os outros dois terços com a Deusa-Mãe.


Mas o mais bonito desta história é que a Deusa Deméter decidiu oferecer aos mortais os ritos sacros, pois durante a sua jornada descobriu como éramos ignorantes. Nasciam assim os Mistérios de Elêusis, onde grandes lições espirituais foram transmitidas à humanidade.


Como acredito num novo paradigma que está a emergir, ligado ao ressurgimento do Sagrado Feminino, decidi refletir um pouco sobre a Deusa, para ver como nos pode ajudar neste momento crítico.


As origens da Deusa


Depois de muitos anos a acreditar que as sociedades primitivas eram caracterizadas pela violência e por formas de dominação masculina, descobri que afinal não há evidências desse tipo de sociedade. Estudos feitos acerca da arte e do modo de vida dos nossos antepassados no neolítico revelam uma sociedade muito ligada à natureza e ao culto de uma Deusa-Mãe.


Não há cenas de batalhas. Não há guerreiros. Não há imagens de espadas ou lanças. Não foram encontrados depósitos de armas. Nada que fale de opressão e dominação.


Pelo contrário, o que abunda são as referências a plantas, a animais e a outros elementos da natureza.


"Aquilo que encontramos por toda a parte (...) é uma rica série de símbolos oriundos da natureza. Associados à adoração da Deusa, estes atestam respeito e deslumbramento perante a beleza e o mistério da vida." Riane Eisler, "O Cálice e a Espada"


O sol, a água, os touros, as corças, os ovos, os peixes, as serpentes e as borboletas dão vida às esculturas, às pinturas murais e aos objectos sagrados daquela época.


Paralelamente, abundam as pequenas figuras de mulheres, muitas delas em idade avançada, com enormes seios e largos ventres. Essas figuras representam aquilo que era mais fascinante para os nossos antepassados: a mulher que dá vida, tal como a natureza; a mulher cálice, que contém em si o milagre do nascimento; a mulher que é cíclica como a noite e o dia e as estações; a mulher Deusa.


Hoje vivemos em estado de saturação: demasiadas imagens, demasiado conhecimento. Dificilmente nos deixamos deslumbrar.


Mas naqueles tempos ancestrais, em que só existíamos nós a Natureza, imagina o estado de deslumbramento de um ser humano ao assistir ao nascer do sol ou ao desabrochar de uma flor; ao presenciar o eclodir de um ovo; ao vislumbrar faíscas de luz solar nas asas de uma borboleta; ao observar as nuvens brancas num lago de águas paradas; ao ver uma criança a sair do ventre de uma mulher; ao escutar o cântico dos pássaros; ao sentir a brisa cheia de odores silvestres...


Esse senso de transcendência teria de estar relacionado com a expressão da Natureza, com a capacidade criativa quer do Planeta, quer da Mulher que dá vida.



Parceria para o bem comum


Não se encontram vestígios de uma sociedade onde as mulheres dominavam os homens, mas sim de uma sociedade equalitária. Homens e mulheres trabalhavam em parceria, com vista ao bem comum.


Em vez de túmulos com guerreiros e espadas, a honrar os vencedores de batalhas, encontram-se elementos que invocam a Deusa e indícios de igual respeito perante homens e mulheres.


Quer na vida, quer na morte, a Deusa era o veículo de transição por excelência. Após toda a morte virá um renascimento. Por isso, a Deusa sempre surgiu associada à Serpente. Com o seu poder letal, a par da sua capacidade de regeneração, este animal é a espiral criativa que anima a vida de todos os seres.


A Serpente é a espiral das águas e a espiral do cosmos, a energia Shakti em permanente criação. É a energia interna adormecida em cada ser humano, preparada para se elevar em direção aos céus com a força de um vulcão.



"E se a imagem central religiosa era uma mulher dando à luz e não, como no nosso tempo, um homem morrendo numa cruz, não será despiciendo inferir que a vida e o amor da vida - em vez da morte e do medo da morte - eram dominantes tanto na arte como na sociedade." Riane Eisler, "O Cálice e a Espada"


A vida e o amor da vida... - é disto que precisamos para contrabalançar o medo da morte que o coronavírus veio provocar (não só da morte física, mas da morte dos sistemas económico, de saúde e outros).


Será que podemos recuperar este amor?


Joseph Campbell afirmava que o único mito no qual valeria a pena pensarmos no nosso futuro imediato seria aquele que falasse sobre o planeta e a totalidade da vida.


Temos de deixar para trás o medo e a divisão em que a cultura patriarcal se alicerçou. Para isso, basta olharmos para quem somos de uma forma integrada.


Comecemos por olhar para nós. Se somos parte do Todo, não conseguiremos vislumbrar o divino em cada uma das nossas células? Não conseguiremos ativar a Deusa-Mãe dentro de nós mesmos e despertar o amor pela vida?


Vou deixar-te um exercício para que experimentes por ti:


Desperta!


>>> versão audio


Retorna àquele lugar primitivo que ainda respira no teu inconsciente.


Retorna à terra fresca que a Deusa pisou com os seus passos leves.


Retorna ao lugar mítico onde acendíamos fogueiras debaixo das estrelas e entoávamos cânticos em louvor à divindade.


Sente as chamas que se elevam no centro.


Sente a vibração das vozes, dos tambores.


Sente o teu espírito a ascender em direção às estrelas.


Sente os teus pés na terra.


Sente o abraço da Deusa.


Sente a abundância da Grande-Mãe que te oferece a luz, o sopro, o fruto, a semente...


Silencia a mente e abre o peito.


Deixa entrar a magia da luz divina.


Fecha os olhos e respira durante alguns momentos. (Sim, comete essa heresia de desligar-te do turbilhão do mundo!)


Mantém o silêncio e acolhe a profundidade.


É aí que a Deusa se revela.


Eleva a tua consciência ao Alto, e percebe a luz que irradia de cima para baixo.


Recebe essa luz em todo o teu Ser.


Integra a força da matéria e o movimento da luz espiritual.


Neste equilíbrio, percebe o amor que irradia do teu coração.


Esse amor conecta-te a tudo o que existe.


Abraça a totalidade e deixa florescer em ti o amor pela Vida!


As faces da Deusa


A Deusa tem muitas faces e podes encontrá-la em qualquer lugar. Ela é parte de ti!


Evoca os nomes da Deusa. Deméter. Inanna. Amaterasu. Sekhmet. Kali. Ishtar. Cibele. Ísis. Artémis. Perséfone. Erda. Brigit. Parvati. Gaia. Hera. Afrodite. Maria.


Toca na árvore, na terra, na flor. Contempla as águas do oceano ou a fonte que irrompe da pedra. Caminha na areia ou na erva macia.


Acende um pauzinho de incenso ou abre um frasco de óleo essencial. Segura num cristal energizado pela Lua. Bebe água. Dança. Canta. Ri. Chora. Grita. Cria.


A Deusa está presente em tudo, desde que tu a coloques na tua consciência. Ao fazê-lo, dás espaço para que o novo paradigma entre e ocupe o seu lugar. Quando muitos de nós estiverem infundidos desta nova energia, não precisaremos mais de pandemias e guerras para fazer a transição para a Nova Consciência.


Neste momento, usa a tua sabedoria da melhor forma possível. Protege-te, seguindo as recomendações, para evitar que o vírus se expanda. A purificação é essencial, não só o lavar as mãos, mas todo o simbolismo que o lavar acarreta. Purifica pensamentos e emoções. Eleva-te espiritual e energeticamente também.


Sinto que o isolamento serve várias funções, e uma delas é preparar-nos para uma nova frequência energética que aí vem. Tal como a carência no mito de Deméter deu origem aos Mistérios sagrados, também nós teremos algo positivo a receber com esta crise. Algo espiritual. Algo que descerá pela nossa Coroa.


No final deste processo, iremos certamente abraçar um novo paradigma, uma nova verdade.


Afinal, em todas as mitologias em que há morte, há também o ressurgir de uma nova vida.


Posso ajudar?


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